O Cross-dresser espião, Chevalier d’Éon.

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O Cross-dresser espião, Chevalier d’Éon.

 

Saber se disfarçar para passar despercebido entre as pessoas é uma das qualidades de um bom espião, evadir de locais onde foi visto, como invadir outros sem ser notado, é rotina nessa profissão e exige dedicação absoluta do agente de inteligência que atua em campo. Existem diferentes técnicas de disfarce, no entanto, a mais comumente utilizada por espiões das grandes agencias de inteligência do mundo, é assumir uma nova identidade por um longo período e viver cada detalhe do disfarce com absoluta veracidade, mergulhando em todas as histórias que permeiam a vida desse personagem criado para facilitar o acesso do espião ao seu alvo. Qualquer descuido pode arruinar uma missão e arriscar a vida do agente, então entrar nas profundezas da mente desse novo indivíduo é crucial, mas pode causar problemas quando o agente passa a ter a sensação de ter perdido a própria identidade após finalizar uma missão. O francês Chevalier d’Éon talvez tenha vivido uma situação similar em sua carreira de espião durante o século XVIII, quando após um longo trabalho se passando por uma senhora de meia idade, ele decidiu manter o personagem feminino pelo resto de sua vida.

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O Rei Luis XV da França decidiu fundar uma sociedade secreta de espiões sem comunicar ao restante do governo, nomeou-a de “Secret du Roi”, e ela foi a porta de entrada de D’Éon no mundo da espionagem. Com algum tempo na sociedade, recebeu a missão de se infiltrar na corte da Imperatriz Elisabeth da Rússia, e conseguiu fazê-lo assumindo o disfarce de uma dama de companhia chamada de madame Lea de Beaumont. Durante 33 anos D’Éon manteve o disfarce de mulher e enviou muitas informações importantes para as facções de apoio a França na Rússia. Após o fim da missão, continuou a atuar como espião do Rei Luis XV em trabalhos na Inglaterra e França por alguns anos, mas acabou se desentendendo com o monarca e ficou proibido de entrar na França até a morte do rei, quando negociou com o sucessor do trono o retorno a terra natal.

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D’Éon negociou com o novo rei Luis XVI que seria reconhecido como uma mulher daquele momento em diante, e ainda ganhou um guarda roupa feminino completo, mudando assim de sexo perante o governo e sociedade aos 49 anos de idade em pleno século XVIII. Sua história deu origem a palavra “Eonismo” usada no passado para se referir de forma geral ao Cross- dressing, termo atual que se refere as pessoas que sentem prazer ao se vestirem com roupas ou usarem objetos utilizados pelo sexo oposto e que é independe da orientação sexual do indivíduo.

 

 

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